Meu final de semana começou com uma BOMBA. Sexta-feira a noite recebi uma resposta do cara que está me patrocinando para o intercâmbio. No e-mail ele me disse que eu precisava ter um patrinho no Rotary para que eu pudesse fazer a prova. Nesse momento meus olhos já encheram (ou enxeram) de lágrimas. Beleza. Continuei lendo e no final ele dizia que precisava de álguem para que se caso meus pais não dessem conta do recado, ou seja, não quisesse um intercâmbista na casa deles, que tivesse outra pessoa que se responsabilizasse por isso. Aí então, desmoronei.
Meu pai tentava me acalmar e eu chorando como se alguém tivesse morrido. Para quem me conhece sabe que eu sempre faço isso rs. Minha mãe ligou para um amiga e ela disse que, (que Deus ilumine essa mulher) ela quer sim um intercâmbista na casa dela. Uma luz iluminou meu caminho. Sério. Aí então ligamos para o meu patrocinador e ele não atendeu. Dormi com o coração na mão. E se não desse certo? E se aquela família não pudesse mesmo receber? E se eu não conseguisse falar com ele? E se..
Acordei sábado com minha mãe dizendo que iríamos encontrar com meu patrocinador às 10:30. Levantei e fui tremendo. Chegamos lá e fomos conversar. Estava tão nervosa com o que ele iria dizer que não consegui falar nada, só fiquei ouvindo enquanto meus pais faziam inúmeras perguntas. Quando minha mãe disse que tinha conseguido uma família e que essa era a tal, ele disse: Se for essa família então está tudo certo, eu não vou nem na casa deles. Outra luz iluminou meu caminho, estava tudo dando certo. Saímos de lá e eu queria gritar, pular, correr e ir dar um forte abraço nessa família.
Ok, então o resto era comigo. Cheguei em casa e fui logo estudar. Estudei sobre política do Brasil, algumas coisas sobre o Rotary, li algumas perguntas que eu fiz para a prova do ano passado, decorei algumas coisas como quem é o governador do Paraná (que terrível, eu não sabia mesmo quem era), o vice (não sabia nem o governador imagine o vice), o ex (esse nem se fala), a população do Paraná e da minha cidade (essa eu sabia mais ou menos), do que vivia e economia do estado (esse eu sabia *orgulho*) e várias outras coisas. Conversei comigo mesma como se estivesse numa entrevista. Tinha terminado, não sabia mais o que estudar, pois a prova do intercâmbio é meio que complicada de estudar porque você nunca sabe o que irão te perguntar, então se você vai fazer essa prova, presta bastante atenção nas aulas de Geografia que falam sobre os pontos turísticos, subsistência, e nas aulas de História que falam sobre a política atual, e principalmente, estejam antenados as notícias do mundo TODO, como guerras, economia etc. Tudo que for novidade é bom saber.
A prova do intercâmbio do Rotary Internacional funciona assim: Ela é divida em três partes. Independente da ordem, você faz uma prova de inglês com peso 2, uma prova de redação com peso 4 (as duas são elaboradas por profissionais da UEM rlx) e uma entrevista com peso 4. A primeira vez que fiz a prova eu fiz três entrevistas e dessa vez fiz duas, pois depende da quantidade de pessoas. Para a prova de inglês não tenho como dar dicas do que vai cair, mas você tem que saber, bom, escrever, ler e interpretar. Não me lembro qual era o tipo de redação, mas o assunto é basicamente o intercâmbio, então se você souber escrever bem, (e ter argumentos é claro) vai bem. E as entrevistas, como já disse, tudo que for de novidade é bom saber.
Fui dormir bem tarde no sábado depois de dar mais algumas lidas e 6 e poco da manhã eu acordei e fomos para Maringá. Meu pai tava reclamando um monte que eu e minha mãe estávamos demorando (como ele sempre faz) e então saímos de casa mais de 7 horas. A prova começava 8 e meia. Maringá fica à 99 km daqui (pesquisei do google e daí?). Tava chovendo muito e com uma neblina desgraçada e meu pai teve que correr muito, chegando a 170 km/hr e com isso não consegui dormir nada. Chegamos lá com uma hora de viagem e tudo certo, graças a Deus.
Chegamos lá e uma explosão aconteceu na minha cabeça. O que estavam fazendo ali aquele monte de gente? Por que eles não estavam em casa dormindo naquela chuvinha? PORQUE? Começei a ficar nersova e olhei para minha mãe e disse: Mãe, o que ta acontecendo? Calma filha, vai dar tudo certo..
Na minha ficha de inscrição faltava ainda a assinatura do Oficial do Intercâmbio e meu patrocinador tinha me dado o número para ligar pra ele lá. Fiz minha inscrição com uma mulher que tinha sotaque, queria perguntar de onde ela era mas me controlei. Então liguei para o moço e consegui o achar em meio aquela ridícula multidão e ele assinou meus documentos,e aí fui pagar. Meu documentos estavam todos em dia, não tive que trazer nada embora para levar na semana que vem, como fizeram alguns candidatos (o que eu acho um absurdo. quer ir? então enteja com tudo em dia). Descemos para tomar café e eu não conseguia comer nada, fui ao banheiro joguei aguá no rosto e me olhei no espelho. Estava tão desesperada quanto uma mãe que perde seu filho. Como iria enfrentar toda aquela gente?
Fomos então ao salão porque o carinha ia falar algumas coisas. Conversa vai e vem, e ele disse: Temos aqui hoje 37 candidatos… Meu mundo caiu. Como assim 37 candidados? Você deve estar enganado moço só tem eu aqui. Tinham muitos, mas não acredito que tinha tudo isso. Espero que não. Da mesma forma, o ano passado tinha no máximo 15 pessoas e algumas eu conhecia, e dessa vez eu não conhecia ninguém, só sabia quem era algumas pessoas ali, mas não sabia como eram se elas iriam passar no meu lugar e e… Já era quase 10 horas quando saímos para fazer as provas. Deu tchau aos meus pais e fui.
Sentei do mesmo lado que tinha sentado ano passado só que algumas carteiras mais para frente. Para quem não sabe, as provas são realizadas no Colégio Nobel de Maringá aos domingos. O mesmo cara que entregou as provas o ano passado estava lá e com uma mulher diferente. Eles entregaram nossos números, pelos quais devemos nos indentificar (ano passado eu era o 3 e dessa vez fui o 30 :O) e aí entregaram as provas de inglês. Começei a ler. Ela tinha 10 questões como a do ano passado e eu fui respondendo-as, e para casa uma, mais ou menos um pequeno texto. Terminei e começei a redação. O tema era: qual o maior desafio que você terá que enfrentar no intercâmbio e como enfrentá-lo? Fácil. Escrevi alguns argumentos e começei a redação. Toda vez que eu vou escrever alguma coisa, eu não consigo escrever rapinho e tal, mas foi diferente. Fiz o texto mais rápido que a prova de inglês (que não estava difícil, mas que eu gosto de acrescentar coisas) e entreguei. Depois que você termina essas duas provas, eles entregam um questionário onde você tem que responder perguntar como: Você tem irmãos e quantos anos eles tem? Você tem problemas médico que precisamos saber? Acho que essa é a parte que mais demoro kkkk.
Chegamos a pior parte: as entrevistas. Fui levada a um senhor com cara séria e eu tentei fazer uma boa impressão. Eu não consigo me lembrar direito das perguntas que ele fez, parece que bloqueio essas coisas como aconteceu no ano passado. Só lembro que ele perguntou em inglês se eu sabia falar inglês ou qualquer outra língua. Eu disse que sabia falar somente inglês e então batemos um pequeno papo. Uh, nenhum pouco mais calma. Não sei nem como consegui falar em inglês, acho que falei qualquer coisa como ‘Cadê meu caderno, quem é você’ etc. É claro que não falei isso, mas foi como me soou. Resumindo essa entrevista: Ele riu de algumas coisas que eu disse, perguntou alguma coisa que eu não sabia e no final ele falou boa sorte pra você. Sai sem pensar nada, afinal o que poderia pensar? Entrei para a outra entrevista. Era a mulher que quanto estava passando para ir a primeira entrevista eu pensei, eu quero fazer com essa depois. Juro. Ela foi muito simpática comigo, perguntou coisas que eu não tive como não falar Rock in Rio e até contei sobre minha louca viagem para ver o Green Day. Resumindo: Acho que ela gostou de mim e também riu de algumas coisas que eu falei, e nessa, eu consegui responder tudo que ela perguntou. Ufa. O que me preocupei for ver uma nota 9,6 do candidato antes de mim. Caralho. Mas beleza, no finalzinho eu tive um alívio ao ir com ela.
Saí e meus pais vieram me encontrar. Eu estava tão mole que parecia uma maria mole. Aí fomos almoçar no Big, fomos ao Avenida onde comprei uma sapatilha, ficamos andando pra lá e pra cá, fomos a Americanas e aí descemos ao Maringá Park e compramos ingressos para assistir Harry Potter. Foi lindo, foi maravilhoso. Eu amo Harry Potter e eu chorei. AHHH que que tem? Chorei mesmo, eu não queria que acabasse, foi triste saber que não vou mais enxer o saco para ir ao cinema ver Harry Potter, que fez parte da minha vida como de muitas outras pessoas. Voltamos para casa.
Minha cabeça parecia que ia explodir. Sim, eu superestimei a minha qualificação. Eu tinha esquecido que qualquer pessoa podia fazer a prova e agora eu estava ainda com o coração na mão, rezando até dormir para que Deus me ajudasse a me qualificar bem. Mais da metade da minha lista do post de baixo eu posso jogar fora. O cara disse que tem 30 vagas, mas com certeza 15 delas são pro México, umas 7 pros Estados Unidos e o resto não quero nem pensar. Então agora a minha lista é essa: O melhor dos países que estiverem disponíveis a minha escolha. Estou com muito medo de ter que ir a um país da América Latina, mas se eu não for eu nunca vou realizar meu sonho. Então eu retiro o que eu disse no post anterior, se eu tiver que ir eu irei.
Portanto, fica minha dica: Estude muito e confie em você mesmo. Apesar de estar muito nervosa antes e depois da prova e até domingo, eu confiei em mim mesma e dei o meu melhor, mas esse medo é inevitável.